sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Mãe eu sou homossexual e não assassino

Estava lembrando da vez que a mãe do meu noivo viu nossa foto (juntos) como papel de parede no desktop. Foi uma choradeira, ainda bem que eu não estava lá (estava ao msn com ele). Depois disto, eles conversaram, aos poucos ela foi aceitando e hoje eu poso lá todos os sábados, domingos e feriados (ainda achamos pouco, mas trabalhamos muito e isso é outro assunto). Sorte dele que ela (minha sogra) não fez o fiasco que minha avó (sim, sou o viadinho clássico que mora com a avó) fez quando eu tentei (pela 1ª vez, em 2007) contar para ela. Ouviam-se gritos de “eu to ficando sem ar”, “eu vou morrer”, “eu não quero ouvir” e “ai meu Deus” acompanhados de muitas lágrimas e gestos (mão na cabeça e no peito, se ajoelha) dignos de um Oscar. Como estávamos em família (meus tios e minha mãe presentes) conseguiram acalmá-la e tudo voltou a ser como antes, ou seja, ela fazendo de conta que não sabe de nada e eu fazendo de conta que acredito. Minha mãe ficou sabendo nessa mesma noite e como boa evangélica que é me disse que eu deveria ir á igreja por três meses e esse demônio ia sair de mim. Pois eu fui á igreja, por quase três meses e nada mudou. Ainda por cima conheci um tecladista na igreja, trocamos mensagens pelo messenger e ficamos, haha desviei um cristão. Pois é, homossexualidade não é um demônio incorporado em alguém, fato.
Mês passado tentei (novamente sem sucesso) contar a minha avó. Comecei levando um presente que ganhei de meu noivo e deixava na casa dele há meses. Ela perguntou de quem eu havia ganhado, eu falei que de alguém muito especial que eu já tenho um relacionamento há algum tempo (um ano e três meses). Ela mudou a expressão do rosto e disse que não queria decepções em sua vida, tentei continuar e então ela disse que certas coisas não devem ser ditas, tentei mais uma vez e ela falou que era melhor eu calar a boca. Bem, eu sei (e toda a família também) que ela sabe. Ela o conhece, vou para a casa dele todos os finais de semana, ela só não quer ter certeza e ter de encarar os fatos. A minha parte eu fiz, ou tentei fazer (dependendo do ponto de vista). Um dia ainda arranjo coragem e grito: EU SOU HOMOSSEXUAL E NÃO ASSASSINO! Mania que as pessoas têm de tornar isso tragédia. Vizinhas então, nossa, sempre têm aquele comentário clássico: “Fulana do 321 descobriu que o filho gosta de homem, que tristeza, um rapaz tão jovem e bonito, que pena”. Pena eu tenho é delas que ainda vão precisar reencarnar umas trocentas vezes até aprenderem (mas deixemos minhas crenças de lado). Acreditem elas ou não, sou feliz (e muito) assim.

Este post é dedicado á todos aqueles que têm ou tiveram em sua casa dificuldades ao sair do armário (acho que 98% dos gays têm). Se você é gay e ainda não se assumiu mas pretende, ta aí uma frase pra utilizar como argumento caso haja a famosa choradeira: Mãe eu sou homossexual e não assassino.


- Texto primeiramente postado em 22/09/09

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