Há um bom tempo atrás ficava super frustrado quando não conseguia ter inspiração para escrever. Me irritava comigo mesmo, me sentia horrível, culpava aos Deuses e todos que estivessem diante de mim mas nunca via as coisas do lado de fora. Meses se foram, o blog já está quase virando livro e hoje me lembrei de quando não tinha inspiração para duas linhas de texto. Falta de força de vontade? Não, falta de vida mesmo.
Olhando pra trás e vendo como eu costumava ser eu me surpreendo com a muralha que construí por uns cinco anos em minha vida para tentar me proteger. Isso acarretou em toda a frustração pois quando fazia algo diferente achava pavoroso e me acostumei a viver uma mesmice que até mesmo a pessoa mais pacata teme. E por encrença que parível hoje vejo muito disso em vários gays que conheço (mas vale para héteros também).
Nos habituamos a não sair da zona de conforto e quase enfartamos se algo não sai como o planejado, se o namorado não quer fazer o mesmo que queremos no sábado à noite, se a melhor amiga quer ficar um pouco com ela mesma, se não tem nenhum amigo para teclar numa noite de balada em que nos recolhemos. Enfim, após qualquer oferta de sair da zona de conforto parecer um monstro ou qualquer plano falido nos sentimos fracassados e seguimos repetindo isso. Como num ciclo vicioso e daí para mudar depois é necessário muita porrada na cara, porrada essa dada pela boa e velha amiga vida.
Por isso que hoje vejo o quanto é importante viver mais e sem dosagem. Não se bitolar com os outros e fazer a minha vida do meu jeito, mas sempre buscando expandir e desapegar da repressão, da auto-repressão (que todos temos um pouco). No fim das contas, depois de começar a viver mais temos mais histórias pra contar, temos mais pauta. E tu, já saiste da tua zona de conforto hoje?
Escrito em 23 de agosto de 2011.
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