quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Ai bi, desapega...

Nada limpa mais a vida e a alma do que uma boa faxina no quarto e, consequentemente, nos pertences pessoais para tocar a vida pra frente e desapegar geral de tudo que já não nos serve (e por vezes na verdade nunca serviu). Mas é fato que nem sempre o que encontramos nessa revisão do que é útil e inútil faz bem rever.

O ponto alto do desapego e do desfazer-se daquilo que não nos serve mais é ter a certeza de que momentos ruins não voltam e que os bons vão muito além de uma recordação trazida por qualquer simples objeto. Reencontrar aquelas velhas cartas de amor, reler os velhos votos de amizade eterna, tocar novamente naquele presente antigo que outrora desejamos tanto e hoje não passa de um mimo encaixotado que, por vezes, nos faz até chorar ao lembrar o significado que um dia teve. Tudo isso vai muito além de um desgaste emocional necessário para rever os conceitos do que passou e olhar para o que vem em frente. Sabemos que o material é apenas uma extensão das intenções e sentimentos impregnados no ato da doação e o doar-se foi muito além de comprar um presente e gastar (ou investir) dinheiro em algum mimo. Tem memórias que habitam o coração que não irão simplesmente desaparecer como os objetos, mas serão menos atormentadoras se diminuir a frequência de seu resgate.

Enfim parece super fácil bancar o "desencanado" e dizer "ai bi, desapega vai", mas quando mais se precisa ser racional aí é que sentimentalizamos. É difícil mesmo por no lixo aquele ursinho, aquele brinquedinho brega. Mas eu reeduquei meus pensamentos e tentei ser o mais racional o possível em minha última limpeza de quarto. Se para alguns dois mil e doze é o fim do mundo, para mim é o fim de objetos com  lembranças desagradáveis. E as memórias que habitam o coração por mais algum tempo eu trato de trabalhá-las escrevendo novos textos, novas páginas, novos romances mas sem me repetir... promessa para dois mil e treze.

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