Se há uma bobagem que ouço desde cedo (em casa) essa ignorância é dizer que gays são “formados” (sim, é este o termo que sempre ouvi) a partir da falta de exemplos masculinos. Ledo engano de pessoas com o mínimo de formação e informação.
Fui criado por duas mulheres fabulosas, uma evangélica e outra católica (ambas com medo de ir para o inferno firmando-se em suas fés) e não foi a admiração enorme que tenho por elas que tornou um “quase mulher” ou um bom cristão. Não, eu não sou travesti e já expressei aqui não ser contra. Mas irritam-me certas ignorâncias enraizadas em nossa cultura desde que se contam os anos. Eu conheço inúmeros homossexuais com exemplos tão admiráveis de pais e família quanto o meu, muitos talvez até bem melhores. O ponto é que ter um pai ou não em nada influencia na condição (já afirmei que detesto o termo “opção”) sexual. Embora eu (também já comentei isso aqui) seja o típico caso de bixinha criada pela avó a maior parte da vida, com muito orgulho sim, isso não me fez mais ou menos gay. Até por que, embora muito mimado pela avó sim, fui muito desencorajado a assumir-me (e até hoje ainda não me assumi pra ela e assim ficou subentendido) pois enfrentei um choque de gerações muito grande. Mas se assim fosse todos os gays seriam única e exclusivamente criados por mulheres e as lésbicas seriam somente as moças criadas com exemplos masculinos? Pura ignorância afirmar isso, não?
Não que eu não queira ser como as mulheres fortes que me criaram, elas foram a base de inspiração para ter o mesmo espírito guerreiro delas (embora não me considere metade do que elas são, mas talvez o tempo me traga os atributos necessários). Mas embora criado afastado de meu pai (por fatos que demorariam muito para serem digitados = descartáveis), também tive exemplos gloriosos, meus tios que sempre foram excelentes substitutos (e até hoje são). Com ou sem exemplos masculinos, admirando ou não as mulheres e os homens que nos cercam e nossa formação, sabemos que nunca vamos fugir ou desviar de quem somos. A essência ou condição, ou seja lá o que nomeamos, é sempre mais forte que qualquer influência externa.
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